Samstag, 17. Januar 2009

E eu queria um post mais humano...

Crescer é algo complexo. É preciso tomar decisões, cujas conseqüências se projetam em outrem além de si próprio. E, às vezes, sinto-me fraco, impotente. E, depois, sozinho: ninguém pode ajudar.

Começar um curso de extensão pra ver se tenho futuro, brigar contra a Telefônica, que se recusa a deixar funcionando o serviço pelo qual cobra... Como disse a uma nova amiga dia desses, alternativas surgem aos montes, mas parece existir uma tendência automática a negá-las, sem raciocinar muito se poderiam dar certo. E poderiam; apenas pareço ter me desgastado demais com tentativas frustradas, a ponto de muito pouco ter sobrado pra inovar.

Quanto à Telefônica, há pelo menos seis meses estive procurando um modem sem fio das empresas de telefonia celular. Estavam em falta e, pasme-se, estão em falta até hoje! Uma das atendentes foi categórica a ponto de dizer que eu não encontraria o modem em nenhuma loja da rede – estou falando da Tim; meu blog não é lido, mas faço questão de denegrir, mesmo no escuro, empresas até mais incompetentes que os funcionários por elas contratados, incapazes de sugerir qualquer solução viável pros seus (eventuais) clientes.

As outras alternativas já me dão tanto nojo que custa-me escrever... Mas devo enfrentar isso. Recuso-me a continuar ligando pro 10315; já é a segunda vez que tento cancelar o Speedy, e pedem pra eu tentar um novo reparo. Hoje, um dos técnicos, por telefone, disse ter constatado baixa isolação na rede; uma vez que a fiação interna possui menos de 3 metros até a tomada telefônica, indubitável tratar-se de problema na fiação externa.

Mas já são 6 anos! Há 6 anos foram necessários 7 técnicos e um engenheiro pra instalar o serviço; menos de 2 anos depois, tornou-se instável e nunca mais voltou a ser o mesmo. Foi a partir do segundo semestre de 2008, primeiro momento de sossego desde o colegial, é que passei a tentar resolver...

Não sou dependente de internet, mas tenho um problema grave com coisas que não funcionam, mas deveriam funcionar. Tenho perdido o sono, já destruí um aparelho telefônico, embriaguei-me etc.

Embora eu, infelizmente, nunca tenha sido o único usuário de Internet em casa, sempre fui o único responsável por manter o serviço funcionando. Pergunto-me se não estou sendo rigoroso demais com a Telefônica, se, realmente, alguns clientes têm o azar de usar um par velho em suas linhas, e a empresa não é a competente para o reparo. Se contratar Speedy é o chamado contrato de compra da esperança, como se pagar pra ter acesso à internet fosse similar a pagar para o pescador jogar a rede na água. Se vier peixe, vc paga; se não vier, paga o mesmo valor. Eis a impressão que tenho sobre a impressão que têm de mim em casa, e sobre a que qualquer um teria ao perceber meu inconformismo.

A questão é: se apenas eu sou responsável pela linha, por que pensar em outrem? Se isso está me dando dor de cabeça, se está fazendo mais mal do que bem, então devo cancelar. Não sou o único a me utilizar da velocidade máxima pela qual meu pai paga, e outras pessoas aqui também usam o telefone, mas só eu passo raiva pra mantê-lo, junto com a internet, funcionando perfeitamente, sem ruídos, sem baixa velocidade, com tom de linha etc.

Seria provisório, no entanto... Uma vez tudo cancelado, a única alternativa restante seria... Reativar o serviço! Então teríamos outra linha, outro modem, outra fiação etc.

E aí surgem as mais diversas possibilidades. A minha sorte, agora, foi ter encontrado pedras de gelo no freezer, pra colocar na Coca! É bem efetivo contra os tremores do nervoso, assim como dipirona é boa pra minhas dores de cabeça.

A mais drástica delas seria mudar-se de casa. Tentar algo menor, porém mais adequado às nossas necessidades. O ideal seria em São Paulo, para onde todas as nossas vidas provavelmente estarão voltadas durante um tempo. Certamente, o cabeamento telefônico é melhor – a internet do meu pai, no Centro Velho, é 25% mais rápida que a minha e funciona, apesar de pagarmos o mesmo valor pelo mesmo produto. Maior proximidade dos serviços, transporte coletivo mais barato e relativamente mais eficiente etc.

O efeito seria próximo se morássemos na região central de Osasco – aboliríamos o uso diário dos coletivos locais. Só não seria o mesmo em razão da inexistência de controle de poluição sonora por aqui; aliás, o prefeito, em época de eleição, é o maior fomentador do excesso de ruídos pela cidade. O que se esperar dos demais cidadãos...

No entanto, um dos problemas a se considerar é o investimento. Há garantias a serem oferecidas nos aluguéis feitos por imobiliária; boa parte dos móveis de casa está infestada por cupins, e teria de ser substituída por outros à prova de cupim, se é que já existe isso. Apesar de ser a mais perfeita das soluções, exigiria uma sobra considerável de dinheiro, o que só pode ser obtido em médio prazo. O custeio pode ser mais fácil, caso consigamos uma região mais favorecida por serviços; os preços dos produtos comprados diariamente, como pães, leite e frios é menor; se pelo menos uma pessoa deixar de se deslocar todos os dias de ônibus, economizam-se, aproximadamente, 200 reais por mês.

Deveras, o insucesso em fazer meu telefone funcionar é sintoma de que merecemos algo melhor. Nesse bairro, apenas crescem o número de bares, os filhos das antigas adolescentes grávidas e a erva daninha não aparada pela prefeitura. Todo o resto tende a morrer.

Bom, mas, como solução provisória, preciso pensar na mais rápida. Existe um posto de atendimento do Procon em Osasco, eu deveria começar por ele; pedir orientações, levá-los os documentos que possuo, e descobrir por onde posso começar. Isoladamente, isso não vai tocar a empresa, mas, pelo menos, não ficarei parado esperando a boa vontade desta. Essa alternativa, penso eu, dependeria de eu continuar com a mesma linha, de eu batalhar pra que ela funcione. É a mais justa, na qual o cidadão luta pelos seus direitos, mas pergunto-me o quão desgastante isso seria. Os prazos mal cumpridos de dias pela Telefônica se estenderiam para meses, e então apenas uma indenização compensaria o transtorno.

A outra seria, em um primeiro olhar, mais rápida. Desativaria – tomando o cuidado de saber o que existe disponível no mercado – a linha antiga, comprando uma nova, eventualmente exigindo que nova instalação fosse feita usando outro furo na parte, outra caixa telefônica etc. Uma linha nova, como a do meu primo, funciona perfeitamente, mesmo com reparos internos malfeitos – eu mesmo fiz o último, com fita isolante na sobra de fio saindo da parede.

Disseram-me que, nesse sábado, farão reparos na rede externa e no Speedy simultaneamente. Exigirei os números de telefone dos técnicos – principalmente do cabista, vez que a rede externa é a provável causadora de todos os problemas.

Se, nos próximos meses, eu tirar o telefone do gancho e ouvir qualquer ruído estranho... É impossível ser otimista. Acho que jogo esse modem pela janela. Ok, de preferência estarei controlado o suficiente pra não fazer isso. Cancelo, só isso... E não pago a multa; vamos ver se eles conseguem cobrar.

Dienstag, 2. Dezember 2008

Der Schnellkochtopf

Olha só quem voltei, haha... Vim falar mais um pouco sobre novas conclusões tiradas a partir do modelo comportamental descrito no post anterior, mas agora, apesar de envolvendo grandezas parecidas, por meio de outra alegoria.

O normal é cozinharmos em panelas destampadas ou semi tampadas. A energia fornecida é transmitida à água, e esta entra em ebulição a aproximadamente 100º C, temperatura mantida praticamente constante até todo o líquido se evaporar. É um recipiente, mas com aberturas suficientes pra permitir que a pressão dos gases em seu interior não apresente qualquer diferença notável da externa. Apenas por causa disso é possível implodir uma latinha de refrigerante ao selar sua abertura e reduzir rapidamente a temperatura interna de um gás quente à pressão atmosférica, reduzindo, com isso, sua pressão.

No entanto, líquidos entram em ebulição a maiores temperaturas caso o gás presente sobre eles esteja a uma pressão mais elevada. Isso é fácil de conseguir reduzindo ao mínimo a abertura do recipiente, de forma que o gás quente expandido escape com maior vagar, aumentando a pressão interna. Em uma panela de pressão, o vapor d’ água parcialmente aprisionado aumenta a pressão de 1 bar; com isso, será mais difícil novas moléculas atingirem o estado gasoso, ocasionando uma temperatura de ebulição próxima a 120º C.

Além de se ganhar tempo cozendo a maiores temperaturas, evita-se a evaporação precoce da água bem como a dissipação do vapor, sem os quais é impossível cozinhar. Tal é particularmente relevante ao se cozinharem alimentos duros, para cujo amolecimento é preciso maior tempo de imersão em água quente.

No entanto, uma das primeiras lições de física dos gases, as crianças a têm na cozinha, com suas mamães e vovôs. Panelas de pressão são máquinas tão simples quanto delicadas – melhor dizendo, dependentes de um delicado equilíbrio, expresso pela equação PV= nRT. Se a temperatura do gás e seu número de mols são constantes em um mesmo recipiente, a pressão permanece constante. Como a quantidade de gás aumenta com a ebulição, ele precisa ser expelido; a energia fornecida mantém o líquido em ebulição e o recipiente a uma temperatura constante. Se houver mais gás, a pressão aumentará, e a panela pode explodir.

Eu pensei a colisão e suas conseqüências por serem os dados mais próximos de um trauma: algo se perde, muito se deforma e o ânimo vigoroso acaba se movendo no estreito caminho deixado pela deformidade. Ainda preciso rever como finalizei o último post, mas estou certo de que as soluções apontadas eram algo como redirecionar a energia para consertar os estragos. Esta nunca desaparece, mas causará mais problemas se for conduzida por caminhos deturpados.

A panela de pressão, por sua vez, ilustra também com bastante propriedade o que julgo ser mais importante em traumas psicológicos – talvez o único ponto em que psicólogos possam trabalhar.

Mais dicionário, porque não sou formado em nada além de Direito – haha –, valho-me das definições houaissianas de trauma, sob a rubrica da psicanálise. No conceito, podemos ver um aspecto externo e outro interno. O primeiro é o de trauma enquanto “acontecimento na vida de um indivíduo que, devido a sua intensidade, impede uma reação adequada, produzindo transtornos no psiquismo”. O segundo é o de trauma enquanto “afluxo excessivo de excitações, que torna o indivíduo incapaz de dominá-las e elaborá-las psiquicamente”.

Como se aprende com dicionários!

Mesmo só tendo lido as definições agora, fácil notar que a construção do post anterior – a da colisão – poderia muito bem vestir o momento externo de um trauma, enquanto que a construção desse aqui – a da panela de pressão – se encaixará bem melhor no momento interno deste. Interessante ter percebido essas acepções do conceito; minha intenção ao escrever esse post foi justamente explorar a segunda delas.

Talvez eu até retome mais tarde, pra não perder a tarde inteira aqui, mas continuemos a partir da possibilidade de explosão, agora a laçando com o momento interno de um trauma. Esse “afluxo excessivo de excitações” poderia ser comparado a todo o gás quente forçando o bico de escape da panela. Se esse afluxo, apesar de excessivo, é estável, a panela funciona bem: o gás vai sempre sendo escoado.

O volume de gás no recipiente aumenta conforme a água evapora, mas com o aumento diretamente proporcional de mols de vapor, mantida temperatura a pressão também fica constante. A grande mágica está no pino, que, ao liberar parte das moléculas, permite uma razão constante entre o volume do gás e sua quantidade de mols, apesar de estes estarem aumentando. O perigo está em um aumento desproporcional da quantidade de gás, que, não sendo compensado com aumento proporcional do volume ou redução proporcional da temperatura, resultará em maior pressão sobre as paredes da panela.

Essas coisas muito me fascinam haha... Mas é tudo meio teórico; possivelmente, em uma panela de pressão com bico entupido, todas as propriedades do gás aumentam em número (as moléculas colidindo mais freqüentemente devem vibrar muito mais – ficam mais quentes). Pro meu pobre estudo, isso já suficiente, visto ser a pressão a mais perigosa dessas grandezas.

Cheguei a procurar vídeos no You Tube pra ver alguém já explodiu uma propositalmente, mas, pelo visto, mesmo os apaixonados por destruição preferem granadas menores.

Por que a panela explode? Digo, em quais elementos da explosão podemos encontrar seu foco? Eu digo as paredes do recipiente e o gás em alta pressão. É a relação desses elementos que pode ser instável e reagir. Assim como o excesso do afluxo de excitações será perigoso quando chegar ao ponto de o indivíduo não mais conseguir dominá-los e controlá-los.

Ainda estamos falando de forças contra paredes, mas não mais do indivíduo contra paredes. Agora, indivíduo, força e parede são uma coisa só.

Apesar da simplicidade da conclusão – a despeito da tortuosidade das explicações – sinto ser essa a essencial na vida de pessoas como eu. O orgulho e a arrogância são partes tanto de mim mesmo como das minhas paredes. São a forma que assume o excessivo controle imprimido sobre todas as coisas, ao recair sobre a vida das pessoas. Embora eu só veja esse controle em mim, e, caso dê errado, pareça uma simples falha de controle a ser submetida, ela mesma, a um controle mais rigoroso, as pessoas de verdade podem sentir. Ao serem excluídas, rejeitadas. É evidente que percebem, e não têm razão pra lutar contra isso.

Algumas são nobres, ou bastante sábias. Percebem, à sua maneira, o que estou fazendo, e me dão a chance de tentar submetê-las menos às minhas regras. Em si, estas podem não estar erradas. Tenho exemplos de pessoas pra quem não fiz nada de, em si, errado, apenas fiz em excesso, até parar de funcionar.

Essa pode ter sido a maneira mais complicada de se dizer, apesar de ainda menos complicada do que os relacionamentos humanos o são, que tudo tem limites. Esses modelos estapafúrdios servem pra me apontar onde estão os limites. Quando estão em mim e em que parte de mim, quando estão nos outros, quando estão na própria relação.

Um pássaro não precisa se formar em Engenharia Aeronáutica pra poder voar. Se sou pássaro ou não é mistério; apenas parei de procurar asas nas minhas costas e passei a construir aviões. Que esse post ao menos tenha sido um aeromodelo, hehe...

Minha terapeuta até tentou me avisar, mas parecia se aplicar tão mal a mim... Só quando começo a desenhar e vejo desenhos é que percebo. Um psiquiatra certamente tentaria cortar a energia. Eu tomo cerveja, e sei que só sobra energia pra te manter em pé e falar, nunca pra pensar muito. Infelizmente, pra pensar o suficiente antes de certas ações.

Então, desentupir é uma alternativa pra deixar fluir melhor. Destampar também. No mundo humano, isso funciona de maneira positiva, no sentido de se construir algo capaz de dissipar melhor a energia. É de nossa natureza, também, que ela precise se dissipar por mais de um ponto – isoladamente, nenhum deles é capaz de manter o equilíbrio. Todos têm limites específicos, e basta um falhar para que o funcionamento do resto se torne perigoso.

Ah... Isso foi divertido. O bom é que começo pela minha parte favorita: preciso construir algo novo e eficiente. Depois faço os testes pertinentes, com o devido espírito “científico”. Isso mantendo o nível de energia, mas redirecionando-o.

Seria legal se eu conseguisse transformar isso em leis matemáticas, hehehe...

Fui.

Samstag, 29. November 2008

energia e colisões (sujeito a mudanças)

Parte 1

Segundo Houaiss, energia é a capacidade que um corpo, uma substância ou sistema físico têm de realizar trabalho. Não por outro motivo a percebemos mais claramente enquanto movimento ou causa de qualquer coisa, e a qualificamos de acordo com sua forma de expressão - quer potencial, quer atual. Um explosivo ou um corpo pendurado por um cabo. Um avião decolando ou uma pessoa escrevendo. É ação ou iminência. Não é algo com existência independente, é um atributo de algo.

Um corpo parado carece de energia cinética, e, segundo o conceito de trabalho, ao movê-lo pelo ponto de aplicação da força na direção desta, transfere-se energia pra ele. Quão maior sua massa for, mais energia se precisa pra realizar um mesmo deslocamento.

Eis a pergunta: what happens when an unstoppable force meets an immovable object? Embora nem todos objetos sejam inamovíveis, qualquer força, sob o ponto de vista energético, tem algo de ininterrompível. Se, por um instante, o movimento sempre se reorganiza em forma de potência, em seguida ou ele assim permanece, ou se transfere por diversas formas. Pode parar, mas nunca desaparecer. Se nos abstrairmos do momento, a energia nem sequer pára.

Posso desconhecer mais detalhes, mas - e isso eu chamo de fé - assim é a mecânica de todo o universo que conheço. Por mais complexo e, eventualmente, improvável de se quantificar, absolutamente nada no mundo escapa de ser parte em uma relação de transmissão de energia. Nem mesmo eu escapo.

Em um mundo assim organizado, toda tentativa de organização é feita com base no caos. No mais das vezes, é impossível prever como a energia se comportará - parte dela, inclusive, teve um comportamento anterior à nossa própria existência, restringindo e permitindo-nos possibilidades.

Todo o sucesso acaba sendo fruto do próprio caos, obra da fortuna. Se alguma primeira moral há de se tirar disso, é a de que, quando se desconhece parte das regras logicamente anteriores e posteriores a nós mesmos, vendo-se apenas a fortuna, a probabilidade de a energia se propagar de determinado modo - talvez um que nos favoreça - cresce a uma razão qualquer, conforme se aumentem o número de tentativas.

Na física, fácil é prever que uma bolinha de borracha, ao cair no chão, sofre ação da força normal, perpendicular a este, assumindo nova trajetória pela força determinada, voltando quase à mesma altura de que veio. Microscopicamente, algo semelhante ocorre se eu derrubar, de uma mesma altura, uma anilha de 20 quilos com a face pro chão. Mas o intenso ruído liberado e o curto deslocamento sucessivo indicam que a energia se transferiu, em grande parte, de um jeito bem diferente.

Embora sejam corpos de constituição simples o bastante para sabermos de que resultam tais diferenças, a natureza humana não funciona de outro modo. Apenas é mais difícil adivinhar como reagirá ao ir de encontro a "paredes inamovíveis". Se se estilhaçará como um vaso de porcelana; se a colisão será visivelmente inelástica, causando deformações permanentes; ou perfeitamente (ou, pelo menos, parcialmente) elástica, dando-lhe nova trajetória. Ou se reagirá como nitroglicerina, para cuja ignição um choque físico já é suficiente, e varrerá qualquer coisa em seu raio explosivo.

Um dia eu estava me movendo, e encontrei objetos inamovíveis. Só quem conheceu e entendeu minha infância pode dizer o quão densos e volumosos o foram. Certamente, nunca o bastante pra me deter, apenas pra alterar a natureza do movimento. A explicação de como aconteceu é tão incerta quanto prever acontecimentos assim, reduzindo-os a tamanha simplicidade.

Achei o modelo da explosão bem curioso, haha... Serve pra explicar grosseiramente as pessoas perigosas de verdade. Eu devo ser, hm... Três coisas se movendo juntas, com distintas propriedades. Um vaso de porcelana e uma bolinha de borracha presos ao capô de um carro em alta velocidade. Ao acertarmos a parede inamovível, o carro absorve o impacto de forma inelástica, deformando-se completamente, liberando forte estrondo. O vaso e a bolinha se desprendem e voam em direção à parede. Ao tocá-la, o vaso se despedaça, fazendo barulho, e a bolinha assume outra trajetória, estando quase tão rápida e silenciosa como antes da colisão.

Apesar de cada parte passar a não mais se relacionar pelo contato, ainda têm algo em comum ao pensarmos na transferência de energia. E na validade desse modelo, hehe... Uma pequena parte de mim se despedaça, outra bem maior se deforma e uma última toma nova trajetória, ainda cheia de energia...

Hora de a idéia se humanizar um pouco - mas nem tanto. De algum modo, a colisão estilhaçou minha vida social. Prefiro não entrar em mais detalhes, mas trocas de escola e família perturbada brigando consigo mesma e com vizinhos são a melhor maneira de uma criança se ver desapegada de tudo quanto devia lhe ser mais próximo. Indo mais além, pessoas são afetadas por exemplos assim como a luz se reflete nos objetos e somos marcados por nossas impressões visuais. Os meus colidiram forte o bastante pra desintegrarem tudo quanto havia de afetivo, lançando as partes o mais longe possível umas das outras.

Foram perdas, mas teriam sido menos graves se outra fosse a sucessão dos fatos. Meu campo de interesses, aparentemente, se viu severamente deformado. Direcionar a energia pra muitos campos tornou-se pesaroso, novas idéias passaram a soar tão temerárias como as antigas ainda mal exploradas. Realmente, gasta-se muita energia pra deformar, mas, ao contrário do visto no estilhaçamento, esta já não se manifesta do mesmo jeito. Ao retorcer, a energia produz calor e ruído, com pouco movimento visível a olho nu.

De certo modo, se o novo movimento mantivesse sua trajetória após perder estilhaços e se deformar, então, se o destino é o que importa, os danos teriam sido pouco relevantes. Se, com a colisão, eu me deformasse, assumisse nova trajetória e nada se tivesse estilhaçado, coisas boas teriam sobrado, e, se não me fossem suficientes, a partir delas mesmas manteriam possibilidades em aberto. Em uma nova trajetória, tendo muito se estilhaçado e quase nada se deformado, então eu estaria apto a reconquistar as perdas e fazer novas aquisições. Parte significativa do movimento ainda se transmitiria, podendo levar a novos caminhos.

O problema foi ter sofrido todos os efeitos da colisão... Sei quão quadrada e pobre (e, inclusive, confusa) parece a explicação. No entanto, bastariam alguns ajustes de grau relativo entre eles, bem como maior nível de detalhamento pra ver como estou perto da eficiência. Alguns fatos podem esclarecer esse pensamento, sem mesmo eu precisar me remeter a ele o tempo inteiro.

É preciso lembrar que esses fatos acontecem em uma seqüência tão rápida a ponto de ser impossível definir qual veio antes. Por ser esta também inútil, melhor pensar em todos ao mesmo tempo, embora se enunciem aqui uns após os outros.

Eu passei a me afastar das pessoas, simplesmente perdi interesse nelas e no mais ao meu redor. Lembro-me de já ter tido coleguinhas e também de ser um bom aluno, interessado em assuntos diversos, ainda quando pequeno. Subitamente, mas nem sempre ao mesmo tempo, tudo deixa de ter sentido. Torno-me a escória solitária.

Acresce-se o abalo sobre o caráter. Prefiro não acreditar ter nascido assim, e, sim, ter-mo tornado. Dá-me esperança de poder me tornar outra coisa. É um desprezo pelo desconhecido, pelo que não se encaixa no pouco deformado ainda existente de mim antes do estilhaçamento.

A natureza dessa mudança eu diria ser a mais recente descoberta. Acreditava se tratar apenas de medo, covardia ou hipersensibilidade. Como disse pra uma amiga, problemas que se manifestam enquanto solução - algo impossível de se resolver, cuja solução ou é desistir de solucionar ou tentar qualquer medida desesperada.

Medidas desesperadas só são explicáveis ao falarmos da mudança de trajetória. É o que acontece se o novo caminho for relativamente sensível ou estreito demais pra um movimento tão enérgico. Imaginem a bolinha de borracha rebatida a 250 km/h em direção a um jardim de margaridas. Só vai alternar quando atingir a cerca, voltando a destruir em seguida. A não ser que algo dissipe toda sua energia, como um amontoado de palha. Seria o fim da bolinha em movimento.

Voltando ao problema... Muitos são os fatos aptos a exemplificá-lo. Perder o contato com certas pessoas mais próximas por inseguranças corriqueiras é mero estilhaçamento. Impedir que novas cheguem perto, por achar que elas têm o mesmo "problema" das antigas... Isso é medo, se considerado em relação a mim mesmo, mas é orgulho, quando as outras pessoas vêem de fora. Nenhuma delas gosta de receber um código de barras por ter simplesmente cruzado o caminho de alguém, só por se "parecer" com outra pessoa na vida deste. Em verdade, outro observador sequer veria (nem mesmo eu) semelhanças, entre umas e outras, capazes de sobrepujar as diferenças. Eu via, e isso era o bastante pra eu dizer quem faria parte da minha vida. Se alguém souber outro nome muito diferente de "orgulho" pra isso, avise-me.

É preciso, no caso, ver esses meus preconceitos em sua forma específica de manifestação. Todos têm os seus, mas pergunto-me se são tão inconscientes, intensos e indiscriminados quanto os meus. São tão contraditórios e infundados a ponto de eu achar que sua única lógica seja a de encontrar um defeito em quase tudo e todos, apenas pra não arriscar incluí-los em meu mundo. Medo e segurança para mim, orgulho e preconceito para os outros. Só uma questão de ponto de vista. Fácil é imaginar qual o ponto de vista das pessoas quando simplesmente não as cumprimento ou olho, mesmo vendo-as rotineiramente.

O mais curioso é que... Uma mesma pessoa poderia entrar apenas em parte nesse meu mundo, cujo funcionamento ficará mais claro ao explicar o novo movimento. Eu já fui apaixonado por uma menina mesmo achando desprezíveis quase todas as suas atitudes. Apenas em parte ela estava dentro das regras, bem pequena parte, por sinal. No entanto, só havia espaço pra ela: ela preenche a regra, e cria uma nova: ela mesma.

Apenas pra concluir esse tópico - preciso resfriar, e falarei sobre resfriamento no próximo tópico! -, esse último padrão assumiu quase tudo em minha vida - e só falaremos da causa eficiente mais tarde; sei qual foi. Primeiro os video-games; depois os estudos e, dentro deles, exatas; então as garotas - foi sorte estas e aqueles dois últimos terem dividido território até eu entrar na faculdade -; então alemão, seriados, escrita etc. Em maior ou menor nível, a deformação proporcionou-me direcionamentos bastante restritos, pra onde tudo parecia ser seguro, exatamente por ser restrito e parecer passível de ser controlado.

Finalizando, essas duas primeiras decorrências foram importantes para eu estar onde estou, com minhas virtudes e defeitos. São aspectos estáticos, cujas essências, por si só, são incapazes de fazer alguém funcionar. Se parte da energia se gastou com eles, certo é que já nem se mexem como antes.

Parte 2

Cheguei a dar indícios de todas as transformações da energia após a colisão. Cabe falar, agora, sobre o restante da energia que praticamente não se dissipa, e mantém o movimento com características quase idênticas às de seu início. Se, na bolinha, a causa desse diferencial são as propriedades de seu material constituinte – a borracha –, é de se desconfiar que algo de indelével exista na natureza de cada homem enquanto tal, resistente a mais choques sem perder suas propriedades.

Mal sei se existe algo assim e como pode se manifestar nas pessoas. Se é índole, temperamento, espírito etc. Prefiro manter a terminologia e pensar em um núcleo de organização e distribuição de energia com limites específicos. Quero imaginar algo resistente, flexível e indeformável. Assim como a borracha constitui a bolinha antes mesmo de pensarmos seu trajeto, essa resistência plástica da natureza humana seria, a partir de certo instante, relativamente imutável. Digo, não posso e nem devo tentar enxergar isso nos outros – seria mais um preconceito –, mas... Acredito ter eu mesmo algo a se prestar atenção. Disponho-me a mover umas poucas coisas, descobrir mais, ir até além de onde costumam me recomendar. Sou assim desde pequeno, dos meus sonhos infantis aos meus desejos adolescentes. Da curiosidade científica a lascívia.

As estatísticas (não os testes de QI, que evito) dizem-me o quão longe estou de ser um gênio. Quando mais me julguei estar perto de me tornar um, faltou energia pra ir adiante. Aprofundar-me em sociologia do direito, começar uma nova faculdade ou pós-graduação, ir ainda além nas leituras mais complicadas de toda a minha vida. Nada obstante, continua a dúvida de se só estou sendo arrogante ou se realmente existe algo notavelmente forte em mim, que me levaria a ser até melhor se as dosagens fossem mais bem direcionadas.

Em um caso ou outro – incluindo o de eu ser tão ou menos capaz que a média –, há um “scenario” em que a energia pode ser excessivamente intensa em relação ao sistema sobre o qual é aplicada. No uso do corpo humano, de máquinas com peças móveis e, principalmente, computadores, atividades intensas requerem maior quantidade de energia. Inexistindo condutores perfeitos, parte desta se transforma em calor, que, além de inútil para o propósito da atividade, costuma ser prejudicial à existência do sistema. Se não se puder dissipar o calor por meios naturais, empregam-se os artificiais, cujo funcionamento requer ainda mais energia.

Chegamos agora a um momento muito esperado dessa teoria maluca. Uma consciência com poucos fragmentos de seus primórdios, fortemente limitada em suas possibilidades de trajetória, sendo que, na assumida, o movimento é relativamente enérgico demais para se manter nela sem causar danos. É como ligar um pequeno ventilador direto em uma turbina hidrelétrica. Seu motorzinho irá esquentar até evaporar; sabe-se lá quanta energia a mais seria necessária pra manter tal sistema surreal resfriado e em atividade!

Toda essa volta pra tentar fundamentar em princípios básicos da física a maneira como minha vida é controlada e como controlo as coisas. A colisão representa – caso isso ainda não se tenha feito claro – a censura, a proibição de seguir adiante com minhas pretensões, sendo estas a energia. Algumas se desmancharam: amizades, amores e esperança nas pessoas próximas. Outras se deformaram: expectativas negativas (preconceitos) generalizadas com relação a quase tudo e todos, porém mais salientes quando olho pra garotas. O restante delas se manteve em intensidade, apesar de apontar para outros caminhos, nenhum deles resistentes o bastante pra conter tanta energia.

Imaginando esse sistema a partir da deformação, ela mesma como que apontaria os poucos caminhos para onde é seguro continuar o movimento. Ele vai, mas sobrecarrega o sistema, a ponto de este entrar em colapso. O sistema interpreta o colapso como uma nova colisão, estilhaçando partes do móvel, criando novas deformações, que, de algum modo, influenciam na continuação do movimento.

Em outras palavras, amarrando ainda mais, os preconceitos levam-me a escolher o menor número possível de atividades ou pessoas, em relação aos quais dedico toda a atenção possível. Em um caminho tão vigiado por meu orgulho e por meus preconceitos, o excesso de atenção certamente vai se deparar com obstáculos: desigualdade de tratamento e indiferenças (com relação a pessoas), ou meras desconexões no caminho da compreensão (válido pra pessoas e assuntos). Então eu coloco ainda mais atenção pra tentar colocar as coisas nos trilhos, quando é exatamente o excesso de atenção que as faz parecer descarriladas. Em um momento a atenção se torna insustentável: é ignorada, ou já não mais capta qualquer coisa. E disso nasce uma nova censura, um novo preconceito a se assimilar, tornando-me ainda mais orgulhoso.

Pudera o desenvolver ter sido tão brilhante quanto o final... Eu só tentei ver se as frustrações se comportaram como colisões de objetos em movimento. Devo ter visto algo semelhante em sociologia sobre as expectativas – espero ter sido menos doentio do que original. Algumas são rapidamente anuladas, a ponto de nada mais se esperar; outras se alteram, adquirindo novo conteúdo interpretativo para certa situação; e umas últimas se reafirmam, apesar de terem passado por frustração. O que pode ser original (ao menos às minhas pobres lembranças) seria o fato de existir um ciclo relacional entre elas.

Meus posts são como contos de fadas: grandes casos com pequenas morais. Se a fortuna é a causa do sucesso, acho que uma das maiores fortunas é saber da sua existência e funcionamento, apenas não maior do que a de conhecer algumas regras de ação estatisticamente favorecedoras do sucesso ou o fracasso. Mesmo as regras científicas se encaixam nesse jogo. A aerodinâmica me diz que o avião pode decolar e aterrissar com segurança, mas a meteorologia pode não prever um vento transversal forte durante a aproximação final, tampouco a engenharia mecânica irá adivinhar o desgaste precoce de uma peça viciada em uma das turbinas.

Consigo enxergar as perdas, as mudanças e a continuidade, bem como uma maneira de com se relacionam entre si. Eu ganhei algumas coisas também, das quais gosto e estou aprendendo a gostar. Do meu jeito ainda, saboreando cada detalhe no mais das vezes, até dando-me ao luxo de ser mais descontraído, embora não sem me culpar depois.

Curiosamente, embora eu não tenha discorrido sobre hoje, o sucesso de algumas expectativas tem servido de inspiração pra algumas novas. Posso ter falado de preconceitos, de como eles, em excesso, restringem demais o campo de ação, mas os melhor chamados de juízos saudáveis trazem crescimento puro e sustentável. Isso vale para meu jeito de aprender as coisas: não importa quanta energia vc acrescente: o sono pode ser o bastante pra resfriar. Humano como sou, óbvio que tenho outras necessidades, mas elas não suportam tanta energia assim. Logo, se ela, em excesso, é útil para aprender sozinho, por que não aprender como ser uma pessoa melhor e mais tranqüila? Gastar muita energia em algo usado para esfriar em determinada situação, aplicar menos pressão nos relacionamentos, ser mais aberto e ter expectativas menos preconceituosas, de gente orgulhosa.

Não estaria suprimindo nada de essencial em mim, apenas redirecionando para outros caminhos. Não completamente novos e sobre os quais nunca tenham recaído preconceitos – The Secret, antes de parecer pseudocientífico como meus escritos, soava completamente acientífico. Ou eu simplesmente me faltou criatividade pra ligar as idéias umas às outras.

São outros tempos, no entanto. Estou disposto a aprender, concretamente, como agradar as pessoas, as mulheres. Conheço muitos dos meus vícios, e impera a necessidade de suprimi-los. Mas ainda é uma incógnita o que acrescentar.

Foi uma moral, não? Diferente de meu estilo pesado, mas... Tentando igualar, a melhor forma de satisfazer novas expectativas é tomar por base as já satisfeitas. Assim como as negativas se atraem da forma explicada – The Secret faz isso parecer completamente místico –, as positivas tendem a poder ser aplicadas cada vez mais, podendo, conforme sua evolução, adquirir novos detalhes para situações antes inusitadas.

Não vai existir um livro pra história dos sentimentos de cada pessoa, mas vai existir um livro pros sentimentos em geral, sobre como alcançar alguns deles na média. Bastam alguns passos para começar, outras recomendações para manter... E a pessoa será o livro de si mesma, aberta pra eu ler, tirar minhas conclusões. E aplicar nela mesma.

Soa pouco romântico, mas posso aprender isso, saber o que agrada. Não se conta esse tipo de coisa pra mulheres, salvo se isso puder conquistá-la. E não poderá, até que ela ou alguém mais experiente diga o contrário. Algumas regras existem, e as estatísticas dizem quais funcionam, no mais das vezes.

Chega... Vou procurar um livrinho sobre, pedir recomendações a respeito. As melhores ou mais conhecidas.