Pressupostas as fundamentações gerais que me levam a postar nesse blog e excluída a hipótese de embriaguez, faz-se importante, aqui, um propósito particular. Quero seguir os passos cujo desfecho foi o rompimento com uma pessoa manifestamente inocente em razão de problemas predominantemente meus. Antes de ter a pretensão de justificá-lo ou lamentá-lo, viso entender como isso pôde acontecer a alguém tão bem intencionada, que só quis ajudar desde o princípio, mas acabou se tornando objeto das minhas representações incompreensivas.
Poderia apontar apenas dois casos em que fui condenado por um sentimento. Um por parte de uma que eu dizia amar, outro por parte de alguém que julgava saber o quão mal esse suposto amor estaria me fazendo. Decididamente, em todos os demais casos, apenas era tratado como se nada sentisse; antes não houvera nada tão intenso e, depois, independentemete da intensidade, jamais me expus tanto a ponto de deixar que me ferissem. Deveras, fora entre os 15 e os 18 anos, inexistem quaisquer lembranças de manifestações físicas minhas de afeto sinceras e irrestringidas. É-me até difícil distinguir se o abraço era fraco porque assim o era o sentimento, ou porque assim era melhor que ele parecesse. É como se, em uma tentativa de me dissimular para os outros, eu me dissimulasse para mim mesmo, a ponto de já não mais poder diferenciar uma situação de outra.
Imprescindível pra esse escrito é o conceito de sentimento com que trabalho aqui. Ao mesmo tempo que aquela sobre quem recai ganha um papel de destaque em minha vida, por conta das mínimas impressões agradáveis sobre ela deixadas, começo a ter a pretensão de exercer a mesma influência sobre a vida dessa pessoa, abstraindo-me das impressões que eu efetivamente possa exercer sobre essa. Consequentemente, por força dessa abstração, perco a noção de realidade, e sinto-me injustiçado por não ter o direito de compartilhar com uma pessoa o mesmo que ela me proporciona.
Na maior parte dos casos, eu era incapaz de me enxergar como o único responsável por essa engenhosidade sentimental suicida; algumas pessoas eu exclui sumariamente da minha vida sem direito ao contraditório - a maioria; outras apenas tiveram sua presença em meus pensamentos suspensa, para que talvez pudessem voltar em mim de forma mais pura - aí eu já desconfiava do grau de justiça dos meus julgamentos, tendo, em pelo menos um deles, me retratado sem qualquer esperança de ser perdoado - e o fui. O comum a esses casos foi eu ter entendido, com bem mais convicção, se tratar de uma perseguição pessoal, como se eu exigir atenção fosse algo injustamente reprovado por essas pessoas, a ponto de eu ter sido grosseiro com elas. O tempo e a reflexão mostraram meu equívoco: as impressões que procuro provocar estão fora do contexto delas - essa pessoas têm prioridades em relação a mim. Inconscientemente, passei a dá-las bem menos destaque. Eu até fiscalizo, mas não pra remoer as respostas que não vêm, e sim pra saber qual a hora de parar de pensar e calar-se. Tem funcionado muito bem.
O que aconteceu ontem foi sensivelmente diferente por um motivo simples: eu sabia que e como poderia acontecer. Vinha me esforçando para, quando ela me deixasse no vácuo, dispensá-la o mesmo tratamento que, nas mesmas circustâncias, dispenso às demais por quem já me interessei. No entanto, com todas as atenções voltadas pra ela, isso se torna penoso. Que todas as pessoas sejam diferentes é óbvio; o esforço em tentar demonstrar a superioridade de uma só em relação às outras é o que a encaixa no perigoso papel sobre o qual recaem meus sentimentos. Há uma ironia em eu ter usado meu parco alemão pra retratar tais sentimentos enquanto reflexos de traços pessoais dela, da maneira mais orgulhosa possível - quem escreve publicamente em língua estrangeira quer se expressar sem ser entendido. O certo seria usar o alemão para reflexões (é para o que serve), e guardar o português para dedicar-lhe meu afeto.
Eu sei que é ocupada, que esteve doente; sobraram-me indícios, alguns dos quais ela me relatou pessoalmente, de que não poderia me responder semana passada. A conclusão era óbvia, mas vinha se tornando insuportável pra mim não ter uma oportunidade a sós com ela. Eu insistia, ela se esquivava, deixava-me falando... Tudo quanto eu escrevia pra mim mesmo era pra interpretá-la a meu favor; preferia até supor que ela já desconfiasse das minhas intenções e apenas estivesse insegura, esperando um convite da maneira certa - hipótese que não consegui descartar até agora.
Mas eu estava sozinho. Ela me deixou só. Não é uma pergunta retórica: o que eu deveria fazer em uma hora dessas pra não fazer o que fiz? Pra não abandoná-la, e dizer com toda força que o melhor é não nos vermos mais por que eu só me faço sofrer quando ela está longe? Pergunto porque já tentei coisas diversas em situações parecidas. Visitas inesperadas, declarações por e-mail (o qual nem sei se ela responde, se bem que não voltou), libidinagem, álcool, algum jogo, falar com outras pessoas...
Nenhuma dessas alternativas se justifica mais. Como disse, se não vim justificar nem a atitude que seria pra ser de um homem, muito menos posso fazê-lo em relação às de um moleque. Mas também não posso lamentar; isso iria acabar acontencendo nas circunstâncias em que se desenrolavam as coisas entre a gente. Uma pergunta que me faço agora, e para a qual tenho resposta é: o que sinto nesse instante? Remorso. Queria desfazer tudo, desde o começo. Queria até ter brigado injustamente com ela, pra poder pedir perdão, mesmo sem a esperança de ela aceitar. O problema foi não ter chegado a fazer isso; tanto me contive que me afastar dela parece ter sido um ato frio e indiferente, sem a possibilidade de alegar, depois, qualquer escusa de violenta emoção. No entanto, contive minhas lágrimas durante a noite, ainda agora enquanto escrevo.
Ela vale a pena.
Vou tentar resolver isso, mas não diretamente - por incrível que pareça, enxergar com meus próprios olhos é mais problemático do que com os de outrem. Quero só uma opinião, de alguém próximo dela... Pra não jogar no escuro. Talvez algo ainda possa ser salvo; a mesma cautela que usei pra me aproximar, pra me afastar... Terei de ser coerente ao voltar.
Ela vale a pena.
Poderia apontar apenas dois casos em que fui condenado por um sentimento. Um por parte de uma que eu dizia amar, outro por parte de alguém que julgava saber o quão mal esse suposto amor estaria me fazendo. Decididamente, em todos os demais casos, apenas era tratado como se nada sentisse; antes não houvera nada tão intenso e, depois, independentemete da intensidade, jamais me expus tanto a ponto de deixar que me ferissem. Deveras, fora entre os 15 e os 18 anos, inexistem quaisquer lembranças de manifestações físicas minhas de afeto sinceras e irrestringidas. É-me até difícil distinguir se o abraço era fraco porque assim o era o sentimento, ou porque assim era melhor que ele parecesse. É como se, em uma tentativa de me dissimular para os outros, eu me dissimulasse para mim mesmo, a ponto de já não mais poder diferenciar uma situação de outra.
Imprescindível pra esse escrito é o conceito de sentimento com que trabalho aqui. Ao mesmo tempo que aquela sobre quem recai ganha um papel de destaque em minha vida, por conta das mínimas impressões agradáveis sobre ela deixadas, começo a ter a pretensão de exercer a mesma influência sobre a vida dessa pessoa, abstraindo-me das impressões que eu efetivamente possa exercer sobre essa. Consequentemente, por força dessa abstração, perco a noção de realidade, e sinto-me injustiçado por não ter o direito de compartilhar com uma pessoa o mesmo que ela me proporciona.
Na maior parte dos casos, eu era incapaz de me enxergar como o único responsável por essa engenhosidade sentimental suicida; algumas pessoas eu exclui sumariamente da minha vida sem direito ao contraditório - a maioria; outras apenas tiveram sua presença em meus pensamentos suspensa, para que talvez pudessem voltar em mim de forma mais pura - aí eu já desconfiava do grau de justiça dos meus julgamentos, tendo, em pelo menos um deles, me retratado sem qualquer esperança de ser perdoado - e o fui. O comum a esses casos foi eu ter entendido, com bem mais convicção, se tratar de uma perseguição pessoal, como se eu exigir atenção fosse algo injustamente reprovado por essas pessoas, a ponto de eu ter sido grosseiro com elas. O tempo e a reflexão mostraram meu equívoco: as impressões que procuro provocar estão fora do contexto delas - essa pessoas têm prioridades em relação a mim. Inconscientemente, passei a dá-las bem menos destaque. Eu até fiscalizo, mas não pra remoer as respostas que não vêm, e sim pra saber qual a hora de parar de pensar e calar-se. Tem funcionado muito bem.
O que aconteceu ontem foi sensivelmente diferente por um motivo simples: eu sabia que e como poderia acontecer. Vinha me esforçando para, quando ela me deixasse no vácuo, dispensá-la o mesmo tratamento que, nas mesmas circustâncias, dispenso às demais por quem já me interessei. No entanto, com todas as atenções voltadas pra ela, isso se torna penoso. Que todas as pessoas sejam diferentes é óbvio; o esforço em tentar demonstrar a superioridade de uma só em relação às outras é o que a encaixa no perigoso papel sobre o qual recaem meus sentimentos. Há uma ironia em eu ter usado meu parco alemão pra retratar tais sentimentos enquanto reflexos de traços pessoais dela, da maneira mais orgulhosa possível - quem escreve publicamente em língua estrangeira quer se expressar sem ser entendido. O certo seria usar o alemão para reflexões (é para o que serve), e guardar o português para dedicar-lhe meu afeto.
Eu sei que é ocupada, que esteve doente; sobraram-me indícios, alguns dos quais ela me relatou pessoalmente, de que não poderia me responder semana passada. A conclusão era óbvia, mas vinha se tornando insuportável pra mim não ter uma oportunidade a sós com ela. Eu insistia, ela se esquivava, deixava-me falando... Tudo quanto eu escrevia pra mim mesmo era pra interpretá-la a meu favor; preferia até supor que ela já desconfiasse das minhas intenções e apenas estivesse insegura, esperando um convite da maneira certa - hipótese que não consegui descartar até agora.
Mas eu estava sozinho. Ela me deixou só. Não é uma pergunta retórica: o que eu deveria fazer em uma hora dessas pra não fazer o que fiz? Pra não abandoná-la, e dizer com toda força que o melhor é não nos vermos mais por que eu só me faço sofrer quando ela está longe? Pergunto porque já tentei coisas diversas em situações parecidas. Visitas inesperadas, declarações por e-mail (o qual nem sei se ela responde, se bem que não voltou), libidinagem, álcool, algum jogo, falar com outras pessoas...
Nenhuma dessas alternativas se justifica mais. Como disse, se não vim justificar nem a atitude que seria pra ser de um homem, muito menos posso fazê-lo em relação às de um moleque. Mas também não posso lamentar; isso iria acabar acontencendo nas circunstâncias em que se desenrolavam as coisas entre a gente. Uma pergunta que me faço agora, e para a qual tenho resposta é: o que sinto nesse instante? Remorso. Queria desfazer tudo, desde o começo. Queria até ter brigado injustamente com ela, pra poder pedir perdão, mesmo sem a esperança de ela aceitar. O problema foi não ter chegado a fazer isso; tanto me contive que me afastar dela parece ter sido um ato frio e indiferente, sem a possibilidade de alegar, depois, qualquer escusa de violenta emoção. No entanto, contive minhas lágrimas durante a noite, ainda agora enquanto escrevo.
Ela vale a pena.
Vou tentar resolver isso, mas não diretamente - por incrível que pareça, enxergar com meus próprios olhos é mais problemático do que com os de outrem. Quero só uma opinião, de alguém próximo dela... Pra não jogar no escuro. Talvez algo ainda possa ser salvo; a mesma cautela que usei pra me aproximar, pra me afastar... Terei de ser coerente ao voltar.
Ela vale a pena.
