Sentia-me mais livre quando escrevia em uma folha de papel. Ninguém leria mesmo. Acho que eu chegava a conclusões mais interessantes, que não precisavam ser tão abstraídas para não parecer (? - esqueci como usar orações reduzidas de infinitivo em português) moralismos.
Eu falava de sentimentos. Achava poder definir o que sentia pelos outros; eu ainda confiava em minhas próprias palavras. E hoje? Não mais... Sabe, eu não sou psicanalista, mas queria entender esse meu estranho interesse por alemão, sendo que despertei meu interesse por essa língua apenas por ter ouvido uma música. A despeito de eu não precisar de poucos segundos pra reconhecer e entender algo do que está sendo falado, eu ainda não sei nada. Eu queria saber se isso tem alguma relação com o fato de eu sentir não saber me comunicar em português. Ler, ouvir e escrever - apesar da pobreza do meu vocabulário - não tende a ser algo realmente difícil. Mas falar? Eu nunca falei com ninguém! Só levei broncas e fui zuado em português... Por que eu tenho que continuar tentando xavecar ou convencer os outros em Português? Resposta imediata: eu ainda não sei alemão o bastante, rs...
Qualquer um diria que isso parece loucura. Entretanto, ouvi algo de uma antropóloga essa semana (vou ficar devendo o nome dela, mas é muito boa - ela entende a teoria dos sistemas). Disse ela que nada é absolutamente sem sentido. Até por trás da mentira, ou dos nossos equívocos... Em tudo isso há uma explicação. Nós criamos um modo de enxergar o mundo; por mais distorcido que pareça no começo, é um espelho do que nós somos. Talvez o tempo que eu perca aqui ao invés de estudar alemão, ler, ver TV, sair com os amigos, continuar inutilmente procurando uma namorada... Eu devo estar querendo dizer algo. Algo que nem sei o que é, e que até agora ninguém demonstrou saber o que é...
Freitag, 16. September 2005
saudades
Sonntag, 11. September 2005
eu me perdi nesse post...
O egoísmo nos é intrínseco na medida em que a pressão ambiental força uma seleção contingente e auto-referencial de possibilidades. Para desenvolver essa hipótese, preciso, inicialmente, recorrer ao misterioso par de conceitos relativo à consciência. Será tida como consciente a alteração físico-psicológica para cuja ativação sejam necessárias certas condições cognoscíveis pelo indivíduo, porém não suficientes, haja vista a presença de uma incógnita de decidibilidade, capaz de, sob as mesmas condições, alternar entre diferentes tipos de reações. Tal abstração não nos será prejudicial ao longo da exposição. Afinal, definir para si mesmo qual a condictio per quam de certo agir e pensar conscientes tende a ser um problema metafísico, estando atualmente longe do alcance de um controle empírico. A alteração físico-psicológica tida como inconsciente, por sua vez, necessita de condições cognoscíveis pelo eu, mas parecerá dispensar aquela incógnita. Assim, se presentes tais condições (a situação apta a constranger, a presença de quem se ama etc.), a alternância entre reações, quando ocorrer, parecerá depender de fatores distintos e independentes da incógnita da consciência: consideraremos que só variações ambientais, sobre as quais não há atuação decisiva, foram responsáveis pela própria mudança de comportamento.
Esclareço apenas ser possível tal distinção a partir de uma auto-análise. Isso porque alguém poderia objetar ser a tal incógnita de decidibilidade algo cognoscível no outro. Psicanalistas e psiquiatras podem apontar em seus pacientes certos traumas de infância como condições para a tomada de certa decisão, e tal apontamento não seria sem razão (embora, na prática, possa apresentar explicações pseudocientíficas...). Todo o agir, se olhado de fora, não dependeria senão de fatores cognoscíveis. Complexos, mas cognoscíveis! De sorte que toda ação sobre a qual o eu julga ter consciência devido àquela incógnita poderia parecer inconsciente para quem fundamente a decisão do outro. Objetivamente, parece-nos deveras complicado falar em decidibilidade!
Não me sinto bem pra continuar... Essa diferenciação definirá como se estrutura o sistema psíquico frente à variabilidade de possibilidades de experiências advinda da realização de alguuma delas; através de uma expectativa, une-se uma seleção à outra anteriormente realizada, estruturando-se, assim, nossas escolhas de modo a reduzir a contingência (o erro) em um mundo complexo. Isso foi parte do que entendi na teoria dos sistemas de Luhmann. Todavia, não me ficou claro o funcionamento detalhado da estrutura de expectativas no indivíduo. Acho que isso me motivou a fazer esses questionamentos a respeito da relação entre consciência, inconsciência e sistemas sociais complexos. Em que nível da consciência se realizariam as estruturas de expectativas que nos movem?
Conforme vimos, pode-se dizer, em termos gerais, que a incógnita de decidibilidade deixa de sê-lo (?) se a considerarmos cognoscível no outro, de modo que todas as ações vistas de fora podem ter fundamentos cognoscíveis e, ao mesmo tempo e conseqüentemente, resultados inevitáveis por ele. Objetivamente, pois, fundamentar-se-ia qualquer ação no inconsciente. Quanto às expectativas, por auto-evidência, situam-se no inconsciente do sistema psíquico: satisfação ou desapontamento em si transcendem a possibilidade de evitabilidade para o indivíduo. Podem até parecer autocontroláveis e previsíveis os meios de se realizar ou frustrar uma expectativa, mas, preenchidas ou falhas tais condições, as conseqüências são certas. Ora, mas se, de um ponto de vista objetivo, mesmo a controlabilidade dessas condições pode ser colocada como inconsciente, e se o sistema psíquico necessariamente se estrutura por meio de expectativas ancoradas em uma seleção forçada de possibilidades, qualquer ação terá um fundo inconsciente dependente de expectativas cuja satisfação ou frustração, preenchidos os requisitos cognoscíveis, será automática.
Amarrando a estrutura de expectativas necessariamente ao inconsciente enquanto cerne do sistema psíquico, esperar conscientemente é um paradoxo. Expectativas expressam esperança ou medo, e nada disso varia com uma incógnita de decidibilidade. Dessa forma, a busca de determinadas expectativas ou a decisão sobre elas, que a princípio parece consciente, não pode ser como tal considerada. Isso causa o problema de se esperar indefinidamente poder decidir o que é melhor para nós em termos de expectativa, quando na verdade só a experiência aliada ao que já se apreendeu anteriormente pode criar e satisfazer expectativas inconscientes. Se também é uma expectativa o esperar decidir corretamente sobre o que esperar, ela estará fadada à frustração, posto ser expressão de uma estrutura equivocada quanto à relação entre o ambiente social e o psíquico... É nisso que se fundamenta a tese de que o sistema psíquico tem a si mesmo e ao sistema social como ambientes que deve estruturar por meio de uma relação.
Ah... Se eu tenho alguma opinião ética, além disso? Talvez não... A experiência e o que somos em nós mesmos tratam de se relacionar de forma imperceptível e inexorável, já que isso se dá no inconsciente. Nossas ações, ancoradas em expectativas, têm por trás algo de inevitável, portanto. Como já apontei no meu perfil, imagino ser a comunicação a única forma de experiência; as próprias sensações agradáveis (contemplação extática? Sim, também entra nessa categoria) são tipos de argumentos tão rudimentares quanto extremamente eficientes. Assim sendo, só o comunicar-se pode mudar algo em nossa visão de mundo, pode potencializar medos e esperanças. Precisa-se de uma interação que desperte algo em nós, como a percepção de uma linguagem. Ora, nada nos submete e nos transcende mais do que a linguagem em nosso entorno... O que podemos fazer, então? Esperar até que algo aconteça (abwarten), algo capaz de nos convencer; levar nossa rotina normal sem cometer o paradoxo de acreditar que a consciência é algo além de uma alegoria. Claro, se é que alguém se convenceu de que deve fazer isso.
Acabou não sobrando local para matar a curiosidade daqueles que não se acham egoístas. Se a pressão ambiental relaciona-se com o próprio sistema psíquico, com o que surgem estruturas de expectativas, como podemos falar em altruísmo se o indivíduo só depende sempre de suas impressões ao fundar suas ações? A estrutura que formou e que será aplicada no futuro pode atropelar estruturas alheias; esse risco nos é inevitável a todo instante. Fazer bem ou mal é conseqüência dos nossos anseios, não dos de outrem! Até no acerto nós somos egoístas!
Cansei...
Donnerstag, 8. September 2005
ohne Titel
oi... o sistema psíquico tem como ambiente tanto a si mesmo como a sociedade, sendo bem difícil estabelecer limites entre eles... É algo óbvio, mas que não tem sido levado isso às últimas conseqüências.
Não sei como relacionar isso com o fato de que todas as pretensões verdadeiras só se frustram! O pretender é diferente da auto-determinação; nesta, fins e meios se confundem, e o fracasso não existe enquanto houver uma mente convencida da existência de meios e fins fundidos na mesma atitude, que, assim, recompensa a si mesma... Tenho notado isso quanto à minha contraditória "tentativa" de aprender alemão. Só fiz um curso auto-didata bem chulé, tenho um dicionário monolíngue, pra pegar vocabulário, e a Deutsche Welle, pra ver e ouvir. Embora eu já tenha ouvido que é necessário uns 8 anos pra aprender, eu nem me importo: gosto da língua como um todo, ao menos até onde conheço... Não há tentativa; eu estou aprendendo! Pouco ou muito, eu não estou fazendo à toa.
O problema é que a vida parece cheia de atos à (?) toa, como desejar compulsivamente a mina mais bonita do colégio quando não se crê ser o mais bonito e nem o mais legal do colégio. A insegurança fará, ao contrário, com que os meios e o desejo enquanto fim sejam um fracasso em si mesmos!
Exemplos perturbam teorias, ainda mais os meus... Tudo bem, eu sou egoísta mesmo, e vc também é, embora não perceba! Eu devia ficar quieto e parar de plagiar o mundo; eu só repito o que ele diz dizer...
Enfim, retomando a partir do egoísmo, todos sabemos que os caminhos da evolução se traçam de acordo com a existência de determinada pressão.
Post interrompido por superveniências...
Dienstag, 6. September 2005
disgusting...
Eu dizia a uma antiga amiga que eu sempre melhoraria após um mau-estar espiritural. Se ela ainda prestasse atenção em mim, acharia que eu andei mentindo quanto a isso...
Se as descrenças forem sinal de envelhecimento, vida se esvai em escala exponencial. Achei que viver sozinho apenas me impediria de algum dia ter um amor de verdade, mas as conseqüência do isolamento têm extrapolado o limite do previsível. Enquanto eu me escudava nas poucas coisas que sabia fazer, não notei no quanto estava me afastando das instituições.
Primeiro foram os amigos que eu não conseguia arrumar. Timidez e isolamento não são bem-vindos em lugar nenhum. Todavia, fui me conformando com isso; ainda havia a esperança dos amigos existentes, e da família. E então esta entrou-me em decadência... Os que pareciam me orientar um dia se tornaram ultrapassados e limitados. Contaminaram-me ao cercear psicologicamente minhas poucas possibilidades de lidar melhor com os outros. Ensinaram-me, em seguida, a me irritar comigo mesmo; usaram a maldita estrutura da culpa ao invés de me ensinarem quando eu tinha problemas. Aqui em casa tudo sempre se "resolveu" na violência, no choque. "Ah, mas vc entrou na São Francisco! Foi bom pra vc! Afinal, vc queria isso!"
E de repente vi que isso me fez enxergar o mundo todo como uma grande violência... Antes eu tivesse me tornado violento e cego, passasse a culpar os outros e a realizar meus desígnios sem me preocupar com nada. Mas eu tive medo. Medo que foi se espalhando em todas as direções da minha vida; o amor em que eu já nem mais acreditava passou a ser-me inexplicável. Em um e-mail para a mesma antiga amiga, eu não consegui distinguir o amor de outros sentimentos, como a amizade ou apenas o desejo - e nem tentem (?) adivinhar porque ela não a mínima para o que escrevi... Quando não se aprende o que é amor, qualquer gesto, próprio ou alheio, que, respectivamente, tenha ou pareça ter por trás algum receio, faz pensar em amor... De modo que o amor é-me indefinível. Só um psicanalista poderia me dar uma resposta satisfatória.
Agora é a vez das amizades. Fui vendo que mesmo estas têm se desgastam. É mais ou menos pacífico que amizades se ancoram e ao menos um ponto comum. Podem ser de gostos musicais a correntes filosóficas e desejo de suicídio. Não obstante, só uma variação das circunstâncias pode deixar mais exposta a personalidade de nossos amigos. O fato de eu claramente não estar me sentindo bem vem me mostrando quais dos meus amigos são de fato para todas as circunstâncias... Curioso foi eu descobrir tal virtude em pessoas de quem eu nunca esperei uma verdadeira compreensão. Pessoas que sempre pareceram ocupadas demais pra mim, que nunca me fizeram uma promessa... São os últimos poucos humanos a quem hoje sou grato por estar aqui agora.
Mesmo assim... As coisas não estão fáceis. Não tenho mais concentração para estudar; era a única coisa que achava saber fazer, e nem isso consigo mais... Preciso me acalmar... Mas não quero me entorpercer; já estou muito gordo pra continuar bebendo, quero teimar em não destruir os neurônios...
Eu vou jantar...
Montag, 5. September 2005
by myself and alone...
Fico pensando, hoje, se uma mudança ambiental poderia ter-me feito, no passado, alguém menos inconformado. Seria eu capaz de ter reagido de forma diferente a estímulos diferenciados em termos de linguagem? Habermas diz (se eu entendi) que nossa definição de liberdade, se levada às últimas conseqüências, não pode ser vista como algo diferente da aleatoriedade de nossa constituição genética; deve ser pelo fato de que não podíamos reduzir essa contingência, embora possamos fazer isso com um ambiente social complexo. Um olhar superficial nos leva a concluir a maior probabilidade de desenvolvimento intelectual em alunos de colégios particulares.
O autor coloca em xeque a idéia de livre-arbítrio, uma vez que já se supõe possível a determinação genética. Um humano se julgaria atado em suas ações à escolha de seus pais ou de cientistas. A própria individualidade estaria, mais do que nunca, comprometida. Se em um mundo pós-metafísico já não podemos conceber nossas ações senão como expressões (Äußerungen) das relações entre os ambientes psíquico e histórico-social, a eugenia esvaziaria a noção de auto-determinação. Ora, estaríamos criando para nossos pais a responsabilidade de nosso agir. Criando porque, a rigor, ela sequer existe. Se o que nos é intrínseco, sendo capaz de nos determinar em parte, surgiu por acaso, somos determinados por acaso!
Eu definitivamente não defendo a eugenia, por uma razão bem simples: a ciência nunca me pareceu capaz de dominar fenômenos tão complexos e contigentes como a vida e a consciência humanas. Deslocaríamos, por exemplo, parte do acaso da nossa consciência para o acaso da consciência de nossos progenitores. Em uma primeira experiência, seria questionável a infalibilidade para o eu de um projeto de vida pré-concebido - o que já se evidencia quando, em outros casos, os filhos não se conformam com uma redução fracassada da complexidade histórico-social feita pelos seus pais. Ou seríamos capazes de criar pessoas que não questionam? Ah, claro... Nem falemos nos desastres evolutivos, né...
Eu preciso sair... Nem sei onde estou querendo chegar. Por ora, apenas digo que esse exame da eugenia aponta um problema quanto a liberdade. Mas, sem querer, aponta um outro problema, logicamente anterior à eugenia: que liberdade há se somos determinados, de todo modo, por acaso? Eu ainda volto nesse assunto...
Donnerstag, 1. September 2005
locked outside home
Computador pifado. Não vou postar com freqüência por aqui - o que é até bom, a considerar minha enfadonha falta de assunto. Eu devia estar lendo Kant no original, mas tenho que decorar as fontes formais do Direito Penal pra passar no concurso do Ministério Público Federal.
E minha namoradinha? É o meu último traço de idealismo, e vai acabar sumindo. Eu exijo demais: inteligente, linda e compreensiva. Ela sempre pecará em um ponto, ou ao menos acharei que pecará... E retiro o que disse sobre a Manuela. Ela está deslocada do meu contexto...
Será carência que está me deixando doente (não, não estou pedindo opinião)?
