É disso que dependo para caminhar tortuosamente para algum lado, posto que, por eu padecer de desequilíbrio na maior parte do tempo, estou aleatório, fazendo e deixando de fazer sem nenhum motivo plausível, e, principalmente, sem sair do lugar. Comecei a manhã tentando terminar o tão breve quanto eterno "Caminho da Filosofia". Remorso por ter pego emprestado tantos livros do William e ainda não tê-los começado a ler, e, além disso, ter comprado mais um nesse fim de semana... E agora lembrei-me de algo engraçado: dias atrás contavam-me de uma pessoa que era zombada por entender mais da sociedade do que das mulheres. Olhe pros livros a que me dedico e a conclusão sobre meu perfil não será outra... Meu próprio estilo de escrita é influenciado por minhas leituras... Sempre abstrato, talvez coerente, mas necessariamente confuso. Em breve a divisão do trabalho social vai complicar ainda mais...
Onde quero chegar com isso? A parte alguma. Só quero sair daqui. Sociologia, por mais complexa e dependente da história que seja, tem um grau de auto-evidência próprio para alienígenas desorientados, inaptos para tomar uma decisão em um mundo novo. Sou o proverbial burro de Buridano, haha... Vi no livro, e há preguiça de copiar.
Enquanto isso, as externalidades (entendi o que quis dizer, economistas?) ainda me perturbam. Sou apaixonado pela loirinha da rua de baixo até o dia amanhecer. Ela está ficando uma graça. E não vejo nada além, razão por que nada pode ser feito em direção a um sentido desconhecido! E ela continua linda...
Quando for perguntar, não pergunte. É a melhor maneira de se evitar frustrações quanto a respostas às indagações sobre o eu. Fico pensando se não acordaria mais feliz se nem ao menos soubesse meu nome.
Se o epicurismo é válido até certo ponto, ou, em termos menos inteligíveis, se há uma razão comunicativa por trás de nossos atos, qual minha vantagem em exteriorizar dramas? É auto-evidente o quão insatisfatória é a resposta do livre-arbítrio; eu não "quero" irritar as pessoas com meus pensamentos. Algo como uma expectativa do eu está necessariamente além do alcance dos sentidos alheios.
E eu preciso disso. Concentro-me em loucuras intrincadas, sejam de quem forem, e tento tornar a minha parecida, ao menos formalmente. Há um certo prazer mórbido nisso, em intercalar momentos de erudição com uma lascívia efêmera, em se deixar penetrar pela suavidade clássica para depois se expandir com a violência do metal, banhado a cervejas baratas, quando as mais caras não estão por perto... De religiosa e inutilmente comprometido a ler todos os manuais das matérias desse ano, perdi-me em um desafinado estudo para um concurso em que nunca tive chance de passar. Agora tento ligar o automático e digitar o que meus ouvidos ouvem de quem está sobre o tablado na sala... Em casa, filosofia, sociologia e alemão... Até eu sentir saudades da loirinha, que, a propósito, é mais que isso; além da beleza, ela tem um nome... Não é bom dizer nomes.
Até que minha vida é divertida, se virmos bem!