A vontade de não fazer nada (odeio essa redundância do português) é bem comum em minhas férias, razão pela qual eu devia estar bem conformado. Amigos distantes, por um motivo ou outro, pouco dinheiro, nenhum amor, tampouco esperança de satisfazer desejos vazios em quaisquer baladinhas de adolescentes com R.G. falsificado (ou não!).
O que vêm a ser um problema é a falta de expectativas voltadas a um futuro, bzw., de perspectivas. Fosse o tédio o mais infinito de todos, mas sempre havia uma Carol de quem eu sentia saudades, fórmulas matemáticas novas pra explicar o mundo, a promessa de um futuro brilhante, haha... Mentiras que me mantinham vivo.
Essa é a primeira vez na vida em que não tenho a menor vontade de voltar às aulas. Esse ano, parece-me, será bem pior que o anterior. Se ainda fosse o último... No entanto, ainda há mais outro, ainda pior, com tese pra defender...
Ao escrever nesse blog, sinto estar sendo repetitivo por demais, enfadonho até pra mim mesmo. Se continuo, é porque já não pretendo arrumar novos amigos. Mesmo as amizades atuais, melhor que se fundem em outra coisa, e não nessa tempestade periódica que despejo aqui.
Pais não deviam olhar os filhos como cães, que devem ser ensinados desde pequenos a não mijar dentro de casa, a ter hora pra comer etc. Humanos, por incrível que pareça, são mais que isso. Resumidamente, tomam decisões, argumentam consigo mesmos antes de argumentar perante outrem. I should've been tought how to do it. Vejo, hoje, que não fui capaz de argumentar comigo mesmo, ao dizer que "esperava encontrar, no Direito, a razão de ter nele ingressado". Haha... Nunca dei ouvido aos tantos que falavam do enorme e óbvio risco de estar em uma carreira a contra-gosto. Coloco-me, agora, uma pergunta retórica: Vou mesmo sobreviver durante 30 anos fazendo algo para o qual não levo o menor jeito? Na carreira em que mais existem aventureiros e máquinas decoradoras de leis?
O motivo pra eu não trancar a SanFran e prestar Poli esse ano é tão ridículo como o que me levou a entrar nessa faculdade: no fim dessa tarde posso descobrir que meus pais estão mortos e não terei nada pra comer no dia seguinte. Sinto tratar-se de um argumento burro, que tenta camuflar algum outro temor por mim ininteligível. Represálias financeiras? Suicídio alheio? Homicídio próprio? Sei lá... Só o suicídio próprio não parece algo tão ruim assim, haha... Espero que o William tenha mais o que fazer além de ler esse post.
De fato, se ainda tenho me mantido vivo é por alguns prazeres, e, talvez, por alguma piedade. Não deve ser tão alienígena se agarrar ao pouco que te faz bem quando todo o resto apenas te traz ódio, assim como é bem humano não querer tomar a vida do primeiro filho de alguém que, na prática, já perdeu os dois últimos. Somados os motivos, resultam em falta de coragem. Retire os dois, e nada há a ser temido... Tá, sei que não é tão racional assim; pouco provável que um suicídio seja calculável e previsível. Ainda que presentes as condições, uma faísca emocional, impensável, parece se fazer necessária. Hora do almoço; mais tarde continuo, se me der vontade.
Dienstag, 7. Februar 2006
indisposto
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1 Kommentar(e):
"esperava encontrar, no Direito, a razão de ter nele ingressado"
por acaso, "esperar o que não se espera" explica muito bem o excerto acima. Como se vê, o futuro é cheio de surpresas, e nem sempre elas são tão boas...
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