Um sonho, nessa manhã. Se eu não escrever logo, esqueço ou o torno mais confuso do que me pareceu. Eu estava num ônibus, em pé, de frente para uma garota sentada ao lado da janela direita. Não lembro como estava vestido, mas ela usava uma blusa azul escura, e, provavelmente, uma calça jeans. Seu rosto e seu cabelo reproduzem o de uma menina da época em que eu fazia catequese, em uma Igreja Católica a uns 800 metros de casa. Sim, eu tinha uma queda por ela; por alguns anos, coincidentemente, eu a notava, pela janela do ônibus, caminhando, enquanto íamos pros nossos respectivos colégios.
Voltando ao sonho, eu olhava pra essa garota, e tinha a impressão de que algo de errado havia acontecido com ela, mas não sei dizer o quê exatamente. Desconfio de que éramos próximos, e ela parecia magoada, por algum motivo qualquer. Então chamei a atenção dela, perguntando se estava a caminho da escola, na intenção de acompanhá-la quando descesse. A reação dela é um tanto indescritível. Ela olhou-me durante alguns segundos, de um jeito sereno, um pouco triste, mas bonito até. Parecendo ter entendido o porquê da pergunta, ela voltou o olhar pra frente, expressando com isso menos um desprezo do que uma dúvida em aceitar o convite. Realmente, até eu me espantei com a coragem de ter falado com ela, embora estivesse confiante de que não declinaria a proposta. Depois de um tempo, quase com o mesmo olhar do princípio (parecia menos triste agora, quase sorrindo), ela respondeu que estava mesmo indo pra escola.
O fim é bem curto. Não, não se trata de um sonho erótico, talvez nem mesmo romântico. Eu desci do ônibus, esperei-a, e nós começamos a caminhar juntos, enquanto ela acendia um cigarro. Não parecia uma situação nova; era como se já nos conhecêssemos há muito tempo. O sonho acaba quando a pergunto se ela se sentia melhor.
A sensação de estar com ela naquele momento... É estranho tudo isso ter acontecido em um sonho apenas, tudo tão curto. Não, sonhos podem projetar um futuro esperado, mas não prevêem um futuro definido. Nesse caso, mais parecia uma projeção distorcida do passado, misturando elementos que nunca pareceram ter alguma relação entre si. Dava uma certa segurança em estar com ela naquele momento, como se a ansiedade tivesse dado lugar a uma tranqüilidade daquelas que até reduzem o tremor normal das mãos no ar.
Tal impressão, por mais prazerosa que seja, tem um paralelo bem desagradável no mundo da vida: Carol. Senti isso na única vez em que fiquei perto dela, em uma viagem pra Minas Gerais. Ainda enquanto dormia nessa manhã, em uma outra cena, já desconexa, e após o sonho relatado, eu me encontrava vendo sua imagem em um álbum de fotografia. Ao acordar, perguntei-me se era ela a garota do primeiro sonho, chegando à conclusão de que apenas o cabelo, a roupa e a sensação se ligavam a lembranças daquela que um dia julguei ter amado.
Quem eu gostaria de ver agora? A mina da catequese, com certeza. Ah, a propósito, ontem, no caixa do Wal Mart, havia uma outra moça, bastante bonita e simpática, que me pareceu bem familiar, provavelmente do tempo em que eu ia à Igreja. Cabelo preto, se eu olhei bem... Seria essa última uma condição da minha confusão de lembranças? Realmente, as três têm feições semelhantes, se bem que eu poderia diferenciá-las em meio a uma multidão.
Dormi muito mal essa noite; pareço estar há dias acordado.
Voltando ao sonho, eu olhava pra essa garota, e tinha a impressão de que algo de errado havia acontecido com ela, mas não sei dizer o quê exatamente. Desconfio de que éramos próximos, e ela parecia magoada, por algum motivo qualquer. Então chamei a atenção dela, perguntando se estava a caminho da escola, na intenção de acompanhá-la quando descesse. A reação dela é um tanto indescritível. Ela olhou-me durante alguns segundos, de um jeito sereno, um pouco triste, mas bonito até. Parecendo ter entendido o porquê da pergunta, ela voltou o olhar pra frente, expressando com isso menos um desprezo do que uma dúvida em aceitar o convite. Realmente, até eu me espantei com a coragem de ter falado com ela, embora estivesse confiante de que não declinaria a proposta. Depois de um tempo, quase com o mesmo olhar do princípio (parecia menos triste agora, quase sorrindo), ela respondeu que estava mesmo indo pra escola.
O fim é bem curto. Não, não se trata de um sonho erótico, talvez nem mesmo romântico. Eu desci do ônibus, esperei-a, e nós começamos a caminhar juntos, enquanto ela acendia um cigarro. Não parecia uma situação nova; era como se já nos conhecêssemos há muito tempo. O sonho acaba quando a pergunto se ela se sentia melhor.
A sensação de estar com ela naquele momento... É estranho tudo isso ter acontecido em um sonho apenas, tudo tão curto. Não, sonhos podem projetar um futuro esperado, mas não prevêem um futuro definido. Nesse caso, mais parecia uma projeção distorcida do passado, misturando elementos que nunca pareceram ter alguma relação entre si. Dava uma certa segurança em estar com ela naquele momento, como se a ansiedade tivesse dado lugar a uma tranqüilidade daquelas que até reduzem o tremor normal das mãos no ar.
Tal impressão, por mais prazerosa que seja, tem um paralelo bem desagradável no mundo da vida: Carol. Senti isso na única vez em que fiquei perto dela, em uma viagem pra Minas Gerais. Ainda enquanto dormia nessa manhã, em uma outra cena, já desconexa, e após o sonho relatado, eu me encontrava vendo sua imagem em um álbum de fotografia. Ao acordar, perguntei-me se era ela a garota do primeiro sonho, chegando à conclusão de que apenas o cabelo, a roupa e a sensação se ligavam a lembranças daquela que um dia julguei ter amado.
Quem eu gostaria de ver agora? A mina da catequese, com certeza. Ah, a propósito, ontem, no caixa do Wal Mart, havia uma outra moça, bastante bonita e simpática, que me pareceu bem familiar, provavelmente do tempo em que eu ia à Igreja. Cabelo preto, se eu olhei bem... Seria essa última uma condição da minha confusão de lembranças? Realmente, as três têm feições semelhantes, se bem que eu poderia diferenciá-las em meio a uma multidão.
Dormi muito mal essa noite; pareço estar há dias acordado.

0 Kommentar(e):
Kommentar veröffentlichen