Dienstag, 7. Februar 2006

suicídio e outras divagações

Ah, sobre esses prazeres da vida. Foi justamente um abalo neles que me levou a tocar no tema do título. No começo, não passavam de sonhos. Eram monetariamente baratos, irrealizáveis, com frustrações voláteis, de modo a durarem anos, por mais perturbações que sofressem. Não há melhor exemplo senão a vez em que me apaixonei. Hoje, não sei o por quê, tais prazeres adquiriram traços inversos.

Normalmente, uma atividade divertida mostra-se, no mínimo, um trade off, ou seja, com um custo representado por aquilo que se deixa de ganhar para pô-la em prática. Isso se não for um prazer caro em sua forma pura, como fazer sexo com prostitutas. Sim, tal frustração é uma péssima substituição do sonho de encontrar um amor na vida, ou mesmo uma parceira sexual sem maiores compromissos, indo bem além do ônus financeiro. É tão fácil e prático tornar real (há mais uma preocupação com o dinheiro do que carência dele) que não há uma fantasia sequer. Cada vez dá menos vontade de ir atrás; as transas parecem cada dia piores, apesar de eu desconfiar de a primeira ter sido realmente a melhor... Aos caça-novidades, ou caças-fantasma (haha!), eu nunca havia falado sobre isso.

A regra se aplica a algumas áreas da minha vida que se resumiam a um entretenimento. Aprender inglês e alemão por exemplo. Pra essa última língua eu dava bastante valor; estava me acrescentando algo novo, que parecia único. Crescia sozinho e devagar, já que se trata de curso impagável aqui em casa, por razões menos financeiras do que puramente políticas. Também dedicava algumas horas por semana pro Inglês; um acréscimo cultural que, na minha opinião, teria um papel importante em minha carreira. Apenas por razões puramente políticas travestidas de trade off ("Inglês é perfumaria"), estou perdendo o pouco que aprendi no Cel Lep. É verdade, a maior parte dos poucos formandos em Direito nesse país falam Inglês, o que significa que é perca de tempo dedicar algumas horas por semana enquanto se poderia estar fazendo algo bem mais fácil e rentável, como decorar o Código de Processo Civil... É desse tipo de faísca emocional que falei há umas linhas atrás. Já sou tão pouco confuso, e tentam me convencer de que as únicas coisas que eu gostava de fazer serão minha ruína! Hahaha... Prefiro morrer de fome, se eu não descobrir um meio mais eficiente.

Sobraram duas outras atividades, que tomaram meu tempo durante quase todas as férias. São as mais baratas, ou melhor, sobre as quais eu menos faço perguntas por não ter ninguém tentando me convencer de que elas sairão caro. Isso se eu não estiver ocupado com elas, porque aí não há pergunta alguma. O jogo e o álcool. Não tenho o que esconder, sou viciado sim. Vou deixar de jogar durante as aulas; a preocupação com outras coisas não passa enquanto se está fuzilando polígonos ambulantes. Mas de beber eu não vou parar, sendo capaz de ficar ainda pior. Normalmente sinto que estou morrendo ao me sentir vivo com os passatempos supra-citados. Estou gastando, estou me iludindo, perdendo tempo etc. Não quando bebo... Esqueço que estou vivo e que estou morrendo. Agora, ou enquanto estudo línguas, quando transo com uma mina qualquer, quando saio pra passear, posso fazer um juízo de valor sobre a bebida. E sobre todo o resto que me destrói com igual ímpeto. Se me drogo, nada disso parece existir...

A sobriedade acaba sendo mais forte, impedindo-me de me manter drogado o tempo inteiro. Como se houvesse um fio abstrato de esperança, dizendo que um dia posso me ver livre de tudo e de todos que me perturbam, decido apenas tomar um refrigerante. Não enxergo nada nem ninguém além disso... Aleatoriamente, como dá pra imaginar, surge a idéia contrária, bem incipiente. Por que acreditar no abstrato se é possível acabar com todos os riscos de uma vez? Não estaria vivo pra saber o que perdi. O problema é que nossa percepção nota a própria inferioridade em relação ao ambiente. Aquela se extingue, e este continua. O passado forneceu à consciência as sínteses de sentido, mas não pôde fornecer o que é novo, o que nem sequer se consolidou enquanto sentido, embora possa muito bem ter suporte no ambiente. Quantas vezes não fomos surpreendidos? Sim, isso é o cúmulo... Esperar o que não se espera parece tão absurdo quanto a fé, mas não deixa de ser uma expectativa. Também sou um homem de princípios. Ia ter de discordar disso pra me convencer de que o suicídio, racionalmente, é uma boa idéia.


Os comments estão abertos, mas só escrevo esse blog pra mim. Não preciso explicar didaticamente que não acredito em esforço nem em fé, senão em realizações ancoradas em expectativas. Onde quer que eu chegue algum dia, não terá sido por esforço cego, senão por convencimento e determinação. Digo isso pra manter a lembrança de nem criar qualquer linha de discussão com quem ouse dizer que não sou esforçado. O tema me é vazio.

1 Kommentar(e):

yu hat gesagt…

sobre o "esperar o que não se espera", ver meu comment no post anterior.

O novo é imprevisível, mas contém em si uma contigência, o que era de se imaginar do conteúdo de uma esperança. É um bom motivo pra varar o crânio com uma bala?

Estaria desprezando um dos lados da contingência. Não vou saber se estiver morto, mas eu não estarei morto quando for me matar! A consciência projeta um futuro inconsciente, mas ela está no presente, e é neste em que não poderei violar o princípio!