Montag, 14. April 2008

ela

Reparo ter inaugurado esse blog em 2005, terceiro ano de faculdade. Naquela época, tinha o curso de Direito como única ocupação, pelo que sobrava tempo o bastante para escrever... Mas não tanto tempo como agora, que meu único compromisso é a academia. Faço terapia, mas só duas vezes por mês... A terapeuta deu a entender que eu progredia devagar demais, razão pela qual seria exagero ir à consulta semanalmente.

Pergunto-me, agora, se voltar a postar depois de um ano tem relação com o vazio do tempo ou do espaço... Eu diria do espaço; sempre me senti à vontade em deixar de dormir para escrever. Pessoas com saúde mental que sejam excessivamente ocupadas ainda têm, pelo menos, umas 6 horas livres...

Procuro companhia apta a suprir o que faltou em minha vida. Há locais mais notórios pra se anunciar do que um blog, eu sei! Mas eu penso pequeno. É controverso dizer se me sinto melhor ou pior que outrem, sendo certo, apenas, que me sinto diferente o bastante pra não me envolver com qualquer uma – uma; homens são companheiros de discussões eruditas e de copo, e creio estar bem provido de companhia nesse sentido. O problema é que essa aversão ao anúncio acaba me privando da companhia adequada... Priva-me, inclusive, de chegar perto o suficiente para saber se essa companhia seria mesmo boa pra mim. Sob esse aspecto, o distanciamento é por força do medo de ser rejeitado. É estranho pensar que eu faça isso por orgulho... Este serve pra me salvar quando tudo deu errado, fazendo-me acreditar que mereço algo melhor.

Eu não devia me culpar por escrever sobre isso. Por buscar no vazio um consenso diferente do existente lá fora, segundo o qual devo cumprir meu papel de homem, sujeitar-me a foras de minas inúteis e difíceis até encontrar uma mina útil e fácil (excluindo-se qualquer relação lógica entre os dois adjetivos de cada par)... E eu não vou me convencer do contrário, nem que isso me custe a vida. Certos inconformismos com o funcionamento do mundo dão vontade de abandoná-lo; aliás, sempre tive uma estranha curiosidade com relação àqueles que o fazem... Mas os que, nesses casos, ajustam, efetivamente, os meios aos fins nunca sobrevivem pra contar a história. Aí temos de nos contentar com as explicações (pseudo?) científicas, tal qual a do delírio de inferioridade.

Acresço que esse pesar pelo qual fui acometido hoje parece ter como base a frustração com relação às pessoas que nunca esperamos abandonar. Os sintomas da idade estão chegando rápido demais pra mim. Tolerar a intolerância é uma virtude aparentemente a se perder com os anos da vida, assim como a cor dos cabelos e a suavidade da pele. Passa-se a se convencer de ter a auto-estima valor superior ao de qualquer laço afetivo. Destruir estes para salvaguardar aquela está se tornando uma rotina bastante amarga pra mim, apesar de se fazer cada vez mais necessária.

Nada obstante, dia desses comentava eu, em uma conversa de Live Messenger, sobre uma única moça que, até hoje, considero ideal pra mim como companheira, dentro do escrito no começo desta postagem. Se há muitas pessoas se divulgando tanto a ponto de transbordar os próprios defeitos, ela é reservada, apenas suas virtudes transparecem em qualquer espaço, até quando está triste. Foi bastante engraçado contá-la meu fascínio por ela desde nosso primeiro encontro... Ela pode ter visto, nisso, a explicação para o surpreendente fato (ela mesma se disse surpresa) de eu me lembrar de cada detalhe dos nossos raríssimos momentos de proximidade... Esse jeito de escrever dela, lembrando em muito o jeito de falar, nunca deixou meus pensamentos. Dessa vez, por incrível que pareça, não por eu estar envolvido (só uma vez eu voltei pra casa pensando nela), mas por ela parecer uma boa pessoa em geral. Observadora de coisas tão simples e despercebidas sem as quais, no entanto, nossa vida seria vazia. Com ela, nunca tive vontade de romper... Mesmo a idéia de não dar certo entre nós não me assusta, pois ela parece só se envolver com quem ela coloque à frente de tudo em sua vida. Eu continuaria a me sentir humano se tentasse fazer dela minha companheira, porque ela é mais do que especial: é nobre.

Nada há a nos prometer nesse momento. O sono demorou, mas voltou. Apenas desejo uma boa noite pra nós. A simples possibilidade criada pelo intelecto de que, por alguma relação eletromagnética, meus pensamentos possam fazer do sono dela algo mais agradável é suficiente para que o meu o seja.

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