Ha.. Haha.. Nunca me foi tão fácil entitular o post! É... Como diriam os gringos - fui apresentado a dois deles hoje, por sinal muito simpáticos -"I've had a change of heart". Incrível como pequenas boas idéias podem fazer a diferença na aparência dos mesmos fatos. Nunca me ocorreu que tudo entre nós dois pode ter sido algo simples demais pra causar tanta preocupação. Além disso, a não ocorrência de um fato mencionado no último post corrobora ainda mais essa hipótese.
Quando digo simples não quero dizer vazio, ou fraco demais pra continuar. Apenas não houve fatos comprometedores de qualquer chance de nos aproximarmos. Em um dos muitos dias em que a vi, escrevi-lhe, em uma tentativa pouco inteligente de ser legal com ela. Nunca respondeu. E, logo depois da ocasião descrita no último post... Descrevo melhor: estava eu indo ao mercado comprar mais bebida pra minha festinha privada, e dei de frente com ela na rua. Meus sentidos já estavam alterados, mas percebi que ela olhou. Posso estar equivocado; por mais que todo o resto seja simples, como irei tentar demonstrar, o olhar de uma garota é dos mais complicados fenômenos por mim conhecidos. Ouso, no risco de errar, dizer que parecia um olhar triste, desanimado, talvez assustado... Mas não irritado. E sempre intenso. E sempre sou o primeiro a desistir de continuar; essa foi, certamente, a terceira vez - nas outras duas eu estava sóbrio, fora umas duas em que ela não me viu ou eu sequer quis olhar...
Talvez valha a pena ter comentado, porque, embora isso se repita e tenha se repetido com outras, com ela é tão diferente... Poucos segundos, mas muito expressivos. Isso não quer dizer que eu esteja apaixonado por ela - vou retomar essa idéia em outro contexto, daqui a pouco -, mas pode explicar o segredo por trás do olhar dela: é diferente por eu a ver de um jeito diferente. Minha mente não é tão bruxa quanto parece; ainda que eu não sentisse nada, ser-me-ia fácil distinguir entre os olhares dela. No entanto, certamente não me pareceriam tão intensos quanto parecem. E me parecem, exatamente, como eu vinha me sentindo a respeito das minhas atitudes em relação e ela: triste, desanimado, talvez assustado. Se eu fosse mais místico, acreditaria tê-la afetado com minha falta de esperança... Tudo bem, posso até tê-la decepcionado. São mais suposições aparentemente complicadas, se levadas muito a sério, mas poderia ter sido pior. Ela já olhou bem mais sorridente, duas vezes, e sempre olhou. Na pior das hipóteses, só a deixei confusa, por nunca ter dado um passo adiante, ter ousado dizer "oi". Ainda não disse isso "assim" pra ninguém (com a mente sã), embora uma colega de treino tenha me dito. E eu admirei a atitude dela, sem ver quaisquer intenções além disso. Ou seja, eu poderia dizer pra minha vizinha também, sem ter esse receio de deixar algo vazar. Ainda não contei, embora tenha prometido, sobre o fato ocorrido da última vez em que nos vimos. Como se verá, tornou tudo ainda mais simples... No entanto, preciso falar sobre esse "algo a vazar". É um ponto meio nebuloso, mas... Veio-me uma explicação agradável. Passemos a ela a seguir.
A única coisa a vazar é minha vontade de continuar a vendo. É só por isso que há anos eu sempre olho pra casa dela, pra ver se dou a sorte de ela aparecer no portão ou em alguma janela. Ela se tornou como que um dos focos do meu universo, algo cuja existência gosto de lembrar. Faz-me mais feliz, é como... O último recanto de afeto que sobrou em mim, em torno do qual minha vida gira. Meus esforços podem até estar diluídos em outros objetivos, talvez eu disperse entre outras pessoas ou atividades a busca por emoções, só que nada disso é tão doce como ela. O peso dessas palavras pode levar a crer que eu esteja apaixonado, mas é como eu disse: só quero vê-la, sem fazer exercícios de futurologia pra saber o que vai acontecer entre a gente. Pensar em um jeito de a gente se conhecer aumenta o grau de incerteza, concordo. No entanto, é preciso trabalhar na incerteza. Aliás, se eu posso ter alguma segurança em relação a ela, é esta: ela está incerta. Talvez não estivesse em um primeiro momento, talvez sempre tenha estado... Reconheço pessoas certas do que fazem. Em suma: ela não sabe quem eu sou, e, até ela me provar não estar interessada em saber, eu posso fazer alguma coisa... Só pra vê-la mais de perto.
Nada tenho a esconder, senão essa vontade. Se ela me perguntasse, eu até explicaria, aproximadamente como escrevi. Diria não ser arrebatador o bastante pra ser paixão, nem real o bastante pra ser amor. Só gosto de saber dela; isso toma bem mais meu tempo que pensar em se um dia será paixão ou amor, se irei chorar de alegria ou emoção. Até porque, se falhar, tudo bem. Talvez eu chore sim, dá vontade só de pensar que isso pode acontecer, mas eu vou sobreviver. Já sobrevivi a perdas bem maiores, e eu não a desejo pra tapar esses buracos. Sobrou muito menos de sensibilidade em mim. E estou dedicando isso a ela enquanto puder...
Pra evitar uma queda em melancolia, devo então contar que, da última vez em que a vi, não resisti. Já estava melhor, mas fiquei pensando, durante a noite, que eu deveria abrir o jogo pra ela, parar com esse mistério. Eu havia lhe mandado um e-mail em outra ocasião semelhante, cujo teor teria, supostamente, provocado ainda mais incerteza, quando não a certeza de que eu temia meus próprios sentimentos. Pois bem, ainda que de maneira covarde, decidi explicá-la o porquê de minha perseguição por ela. Escrevi de novo, e confessei que estava apaixonado, desde o começo (li mais uma vez agora, pra ver se tinha algo de útil), ainda deixando passar mais incerteza do que paixão. Nem sequer disse que gostaria de vê-la mais... Estranho eu ter escrito que estava sendo sincero, quando a única coisa que passava com sinceridade era minha incerteza. Faltou contar o mais importante. Eu tratei como paixão, e tive medo de assustá-la me alongando nessa idéia. Em verdade, eu só sentia algo diferente, e nada tinha a dizer sobre paixão. Não fico nos imaginado juntos, nos pegando, nada disso - em regra.
Tudo isso levaria a crer: agora, sim, tudo se complicou! Eis que descubro que, por muita sorte,os DOIS e-mails nunca chegaram pra ela! As mensagens voltaram, e só percebi quando a segunda voltou. Provavelmente, ela ficou meses sem abrir o Hotmail, e isso deve ter desativado a conta dela. Eu já adicionei no orkut e mandei scraps umas vezes, também puxei papo no messenger. Como ela nunca respondeu, e, mesmo assim, continuou olhando, a única conclusão é que estamos em um nível de incerteza ainda saudável. Some-se a isso eu estar um pouco mais seguro sobre meus sentimentos, tendo certeza de que não chega a ser algo invasivo o bastante pra irritá-la (muito)... É...
Acho que vou conhecer minha vizinha!
Quando digo simples não quero dizer vazio, ou fraco demais pra continuar. Apenas não houve fatos comprometedores de qualquer chance de nos aproximarmos. Em um dos muitos dias em que a vi, escrevi-lhe, em uma tentativa pouco inteligente de ser legal com ela. Nunca respondeu. E, logo depois da ocasião descrita no último post... Descrevo melhor: estava eu indo ao mercado comprar mais bebida pra minha festinha privada, e dei de frente com ela na rua. Meus sentidos já estavam alterados, mas percebi que ela olhou. Posso estar equivocado; por mais que todo o resto seja simples, como irei tentar demonstrar, o olhar de uma garota é dos mais complicados fenômenos por mim conhecidos. Ouso, no risco de errar, dizer que parecia um olhar triste, desanimado, talvez assustado... Mas não irritado. E sempre intenso. E sempre sou o primeiro a desistir de continuar; essa foi, certamente, a terceira vez - nas outras duas eu estava sóbrio, fora umas duas em que ela não me viu ou eu sequer quis olhar...
Talvez valha a pena ter comentado, porque, embora isso se repita e tenha se repetido com outras, com ela é tão diferente... Poucos segundos, mas muito expressivos. Isso não quer dizer que eu esteja apaixonado por ela - vou retomar essa idéia em outro contexto, daqui a pouco -, mas pode explicar o segredo por trás do olhar dela: é diferente por eu a ver de um jeito diferente. Minha mente não é tão bruxa quanto parece; ainda que eu não sentisse nada, ser-me-ia fácil distinguir entre os olhares dela. No entanto, certamente não me pareceriam tão intensos quanto parecem. E me parecem, exatamente, como eu vinha me sentindo a respeito das minhas atitudes em relação e ela: triste, desanimado, talvez assustado. Se eu fosse mais místico, acreditaria tê-la afetado com minha falta de esperança... Tudo bem, posso até tê-la decepcionado. São mais suposições aparentemente complicadas, se levadas muito a sério, mas poderia ter sido pior. Ela já olhou bem mais sorridente, duas vezes, e sempre olhou. Na pior das hipóteses, só a deixei confusa, por nunca ter dado um passo adiante, ter ousado dizer "oi". Ainda não disse isso "assim" pra ninguém (com a mente sã), embora uma colega de treino tenha me dito. E eu admirei a atitude dela, sem ver quaisquer intenções além disso. Ou seja, eu poderia dizer pra minha vizinha também, sem ter esse receio de deixar algo vazar. Ainda não contei, embora tenha prometido, sobre o fato ocorrido da última vez em que nos vimos. Como se verá, tornou tudo ainda mais simples... No entanto, preciso falar sobre esse "algo a vazar". É um ponto meio nebuloso, mas... Veio-me uma explicação agradável. Passemos a ela a seguir.
A única coisa a vazar é minha vontade de continuar a vendo. É só por isso que há anos eu sempre olho pra casa dela, pra ver se dou a sorte de ela aparecer no portão ou em alguma janela. Ela se tornou como que um dos focos do meu universo, algo cuja existência gosto de lembrar. Faz-me mais feliz, é como... O último recanto de afeto que sobrou em mim, em torno do qual minha vida gira. Meus esforços podem até estar diluídos em outros objetivos, talvez eu disperse entre outras pessoas ou atividades a busca por emoções, só que nada disso é tão doce como ela. O peso dessas palavras pode levar a crer que eu esteja apaixonado, mas é como eu disse: só quero vê-la, sem fazer exercícios de futurologia pra saber o que vai acontecer entre a gente. Pensar em um jeito de a gente se conhecer aumenta o grau de incerteza, concordo. No entanto, é preciso trabalhar na incerteza. Aliás, se eu posso ter alguma segurança em relação a ela, é esta: ela está incerta. Talvez não estivesse em um primeiro momento, talvez sempre tenha estado... Reconheço pessoas certas do que fazem. Em suma: ela não sabe quem eu sou, e, até ela me provar não estar interessada em saber, eu posso fazer alguma coisa... Só pra vê-la mais de perto.
Nada tenho a esconder, senão essa vontade. Se ela me perguntasse, eu até explicaria, aproximadamente como escrevi. Diria não ser arrebatador o bastante pra ser paixão, nem real o bastante pra ser amor. Só gosto de saber dela; isso toma bem mais meu tempo que pensar em se um dia será paixão ou amor, se irei chorar de alegria ou emoção. Até porque, se falhar, tudo bem. Talvez eu chore sim, dá vontade só de pensar que isso pode acontecer, mas eu vou sobreviver. Já sobrevivi a perdas bem maiores, e eu não a desejo pra tapar esses buracos. Sobrou muito menos de sensibilidade em mim. E estou dedicando isso a ela enquanto puder...
Pra evitar uma queda em melancolia, devo então contar que, da última vez em que a vi, não resisti. Já estava melhor, mas fiquei pensando, durante a noite, que eu deveria abrir o jogo pra ela, parar com esse mistério. Eu havia lhe mandado um e-mail em outra ocasião semelhante, cujo teor teria, supostamente, provocado ainda mais incerteza, quando não a certeza de que eu temia meus próprios sentimentos. Pois bem, ainda que de maneira covarde, decidi explicá-la o porquê de minha perseguição por ela. Escrevi de novo, e confessei que estava apaixonado, desde o começo (li mais uma vez agora, pra ver se tinha algo de útil), ainda deixando passar mais incerteza do que paixão. Nem sequer disse que gostaria de vê-la mais... Estranho eu ter escrito que estava sendo sincero, quando a única coisa que passava com sinceridade era minha incerteza. Faltou contar o mais importante. Eu tratei como paixão, e tive medo de assustá-la me alongando nessa idéia. Em verdade, eu só sentia algo diferente, e nada tinha a dizer sobre paixão. Não fico nos imaginado juntos, nos pegando, nada disso - em regra.
Tudo isso levaria a crer: agora, sim, tudo se complicou! Eis que descubro que, por muita sorte,os DOIS e-mails nunca chegaram pra ela! As mensagens voltaram, e só percebi quando a segunda voltou. Provavelmente, ela ficou meses sem abrir o Hotmail, e isso deve ter desativado a conta dela. Eu já adicionei no orkut e mandei scraps umas vezes, também puxei papo no messenger. Como ela nunca respondeu, e, mesmo assim, continuou olhando, a única conclusão é que estamos em um nível de incerteza ainda saudável. Some-se a isso eu estar um pouco mais seguro sobre meus sentimentos, tendo certeza de que não chega a ser algo invasivo o bastante pra irritá-la (muito)... É...
Acho que vou conhecer minha vizinha!
